Pai
(Ísio Ribeiro)



Pai

Pai, nos cantos de seus olhos, uma lágrima constante, permanente, insiste em denunciar suas emoções, trazidas pelas lembranças que uma vida inteira acumulou. Cada gesto de cada um de seus filhos, netos, lembra-lhe sempre alguma coisa; cada música que entoa baixinho, leva-o de volta a situações outras preciosas, de seu rico passado. Um passado que não é tão distante assim.
Parece que foi um dia destes. Seus cabelos não tinham acumulado a névoa do tempo que os embranqueceram;
seu andar era ligeiro, decidido.

PAI, as rugas que você traz em sua testa, vincada pelo passar dos dias, meses, dos anos...em cada uma delas estou presente ! Nas suas noites mal dormidas; nos presentes que não pode comprar. Nos meus anseios !
Suas mãos generosas que tantas vezes seguraram as minhas, também sofreram os efeitos desse tempo implacável, que a ninguém e a nada perdoa; que mesmo assim ainda hoje, nos meus dias de incerteza e hesitação, procuram, meio trêmulas, me amparar !

PAI, seu sangue nobre que em minhas veias corre; o quase mesmo tom de voz; meu caráter moldado pelos ensinamentos que você me transmitiu e pelas coisas que vi você fazer...são as marcas que você me deixou. A herança maior que de você herdei. Eu sou seu filho ! Sou o que gosto de ser ! Uma imagem que lembra a sua, seu jeito, sua continuidade ! A prova viva de sua fértil e boa semente; a prova de que a vida não passou por você; você, imponente, passou por ela deixando a sua marca!

...PAI



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