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Vidas vividas em Paracatu

Marcos Spagnuolo Souza


Resumo: Depoimentos de quarenta e nove paracatuenses, sendo que a grande maioria com idade superior a setenta anos. Os depoimentos estão relacionados com o cotidiano da primeira metade do século XX, na área rural e urbana.

Apresentação

    Gadamer salienta que somos pré-conceitos, sempre vamos ao encontro dos fenômenos humanos a partir do que dispomos previamente. O pesquisador e o pesquisado pertencem ambos a tradição. O pesquisador, em seu trabalho, deve ficar junto dessa tradição se não quiser descaracterizar o objeto da pesquisa. Nas ciências humanas, ressalta Gadamer, não é permitido tomar distância em relação ao seu objeto. O distanciamento do sujeito com relação a seu objeto, torna-se alienação se aplicados no estudo dos fenômenos humanos. Afirma Gadamer que o distanciamento não permite conhecer o objeto em toda sua riqueza, no seu contexto histórico. Gadamer comenta que se o pesquisador tomar uma atitude de distanciamento, ele fabricará seu estudo, pois, haverá um rompimento da relação primordial de pertença. Diz Gadamer, que uma das característica da ciência do espírito é justamente essa ligação íntima entre sujeito e objeto. Sujeito e objeto sempre andam juntos. O aspecto importante para Gadamer, é a investigação da experiência humana de mundo e da praxes da vida, onde o pesquisador não pode ir ao encontro da realidade com teorias e métodos pré-estabelecidos, ele deve ser levado pelo que ele próprio experimenta no momento da investigação..

    Tomando por base o hermenêuta Gadamer, desenvolvemos o trabalho de História Oral, procurando participar o máximo possível da história de cada um dos entrevistados, entrando o máximo em sua narrativa, fazendo perguntas, pedindo esclarecimentos, respeitando suas colocações.

    A nossa primeira decisão foi desvincular de toda imposição normativa, por ser impossível adotar um comportamento comum para todas as pessoas que iríamos entrevistar, sendo que cada indivíduo possui o seu próprio mundo. Em síntese, procuramos uma ligação íntima entre o pesquisador e pesquisado, diminuindo em todos os aspectos o distanciamento entre entrevistador e entrevistado.

    Passarei a descrever os caminhos que percorremos e que nos levou a concretização deste trabalho:

a - Em primeiro lugar, catalogamos as pessoas que iríamos entrevistar. A relação dos entrevistados demandou conversas e sugestões com paracatuenses. Consultamos umas cento e vinte pessoas, empenhando 42 horas para que tivéssemos uma listagem com 60 nomes.

b - a segunda atividade, foi agruparmos as pessoas que iríamos entrevistar por localidades, visando facilitar o nosso próprio trabalho de locomoção.

c - Preparamos uma listagens das pessoas que iríamos entrevistar por semana, no entanto, logo no início, a prática mostrou que não conseguiríamos seguir o planejamento, pois, a disponibilidade dos entrevistados nem sempre coincida com o nosso planejamento.

d - No primeiro contato com o entrevistado, procuramos explicar quem éramos, qual o nosso propósito. Aproveitamos o encontro para conversar, trocar idéias, conhecer um pouco o depoente e também os seus familiares. Inúmeras pessoas demonstraram que não queriam prestar depoimento a respeito de suas experiências de vida. A razào deste primeiro encontro foi marcar dia e hora para a entrevista, mas, ocorreu diversas vezes, que neste mesmo dia, a conversa prosseguia culminando com a própria entrevista.

e - A entrevista propriamente dita, passou por inúmeras modificações técnicas. Verificamos que a filmagem e a gravação tirava toda espontaneidade do entrevistado, bloqueando suas narrativas, provavelmente devido a idade avançada das pessoas que estávamos entrevistando. Optamos pela anotação das vivências relatadas, pelos dois componentes da equipe. A partir desta decisão, as entrevistas fluíram com maior naturalidade e tivemos oportunidade de fazer inúmeras interferências, visando esclarecimento das partes obscuras.

f - O sexto momento da nossa caminhada foi reunir as anotações feitas e escrever o depoimento, aproximando o máximo da própria declaração do depoente.

g - uma nova visita era concretizada, para que o depoente lesse o seu depoimento, sendo que na maioria das vezes, trechos foram cortados e outras lembranças foram acrescentadas.

h - Em nossa oficina de trabalho, fazíamos as correções necessárias, solicitadas pelos depoentes.

i - novo encontro com o depoente era concretizado, sendo o depoimento lido, não somente para o entrevistado, mas, para os familiares presentes. Depois que o depoente recebia, em muitas das vezes, o consentimento de seus familiares mais próximos, o depoimento era assinado.

j - Conseguimos tirar fotografia da maioria dos depoentes, sendo que alguns, alegando velhice, não consentiram que fossem fotografados.

k - Para cada depoimento completo, gastamos em média 10 horas.

    Ao terminar o trabalho, só podemos dizer que crescemos muito interiormente em manter contato com estas pessoas maravilhosas. Obrigado a todos.

Depoentes:

FIM
Non Omnis Moriar
(Não morrerei de todo)


Nota do editor: O Portal Abadore Muare faz aqui uma menção de agradecimento e parabenização ao autor Sr. Marcos Spagnuolo Souza, pela excelência deste trabalho e por sua gentileza em permitir a publicação em nosso portal.