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"A roupa da gente, só era de algodão e ninguém reparava o que o outro vestia"

Alcides Mendes Santiago

Nascimento:  12 de Junho de 1910
Residência :   Alto do Açude
Entrevista:  20 de Março de 1999

    O papai chamava Benedito Mendes Santiago e minha mãe chamava Francisca de Assis do Carmo. Nós morávamos lá na Lagoa. Eles tinham um terreno lá, e tocavam lavoura e engenho.
    O engenho era de pau tocado a boi. Moía a cana, saía garapa e caía no cocho de madeira, cozinhava a garapa até virar melado e depois com o melado fazia a rapadura. Cozinhava a garapa no tacho de cobre. A rapadura era grande, tinha dois palmos de cumprimento e um palmo de largura.
    Naquele tempo não arava a terra, só mexia a terra com enxadão, não colocava adobe. O esterco só se colocava na horta. Quando mexia a horta, punha esterco de animal. Quando completava uma dobra de carro, a gente trazia o milho e a rapadura para vender aqui em Paracatu.
    Saía com o carro de boi lá da Lagoa e vinha vender aqui para o pessoal que a gente conhecia. Vendia para remediar a precisão. Vinha em Paracatu duas ou três vezes ao ano. A roupa da gente, só era de algodão e ninguém reparava o que o outro vestia. não existia calça, e até gente grande usava camisolão de algodão e calçava precata de couro cru que a gente mesmo fazia.
    Casei três vezes, a primeira com a Maria; a Segunda com Benedita e a terceira com a Oriozete e tenho uns vinte e três filhos.
     Só a primeira mulher que morreu, as outras duas estão vivas. Eu pescava muito nos córregos e fazia feira dos peixes, cheguei a fazer o casamento de uma das minhas filhas só com as vendas dos peixes. Acabei vendendo o terreno da Lagoa para o Geraldo Pimentel e comprei esta casinha aqui no Alto do Açude.
    Aposentei como lavrador e estou recebendo R$130,00 (cento e trinta reais ) um salário por mês, lá no Banco do Brasil. Agora estou cansado e só estou esperando a morte. Eu já podia ter morrido, estou muito cansado.


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