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"Em 1968 a avenida Olegário Maciel era de terra e a boiada passava com o berrante na frente e o carro de boi ainda circulava nas ruas"

Antônio Joaquim de Morais

Nascimento:  07 de Setembro de 1926
Residência :   Avenida Olegário Maciel, 699
Entrevista:  31 de Março de 1999

    José Joaquim de Morais era o meu pai, ele morreu antes que eu nascesse, morava em Bambuí. Minha mãe chamava Ana Maria da Conceição. Nasci em Bambuí , no mesmo ano em que papai morreu, minha mãe com seis filhos, mudou para Paracatu. Ela foi trabalhar na fazenda do Carmo, do Antônio Soares da Silveira e Eugênio Soares da Silveira, perto da Lagoa Rica. Ela foi trabalhar no serviço doméstico. O meu irmão mais velho foi plantar roça de arroz, feijão e milho. Quando completei 12 anos sai para trabalhar e estudar. Fui trabalhar no povoado de são Sebastião onde estudei dois anos e trabalhava no comércio, de balconista, na loja de Mário Batista Gomes.
    Fiquei com ele dois anos e voltei para Lagoa de Santo Antônio com o Sr. Henrique Gonçalves de Aragão. Fui trabalhar como balconista. Trabalhei com o Sr. Henrique durante 10 anos. Depois ele mudou para Paracatu e eu fiquei tomando conta do comércio para ele. Fiquei dirigindo a mercearia e a loja dele até 1951. Acabei comprando o comércio do Sr. Henrique e passei a ser o dono. Em 1968 transferi o comércio e toda a minha família para Paracatu. A mudança foi para educar os meus filhos .
    Abri o comércio aqui na Avenida Olegário Maciel n.º 699. Aqui estou até hoje com o mesmo comércio. Tenho 11 filhos, sendo 7 homens e 4 mulheres, estão todos criados, com curso superior e trabalhando. O meu casamento foi em 1949 com Maria do Carmo Moraes. Antigamente, na minha loja vendia o sabão de tacho, sal grosso, café cru, arroz com casca, rapadura do engenho e cada rapadura pesava um quilo e meio, vendia porco gordo a quilo, toucinho e carne salgada.
    Vendia também açúcar de forma, farinha de mandioca feita na região. No armazém vendia também armarinhos e remédios populares. Os remédios mais vendidos na época era o Lacto-purga, Sal amargo, Sal de Glau e Pílula de Dr.Rossi, todos eram purgativo. Uma pitadinha de Sal amargo servia como depurativo do sangue . A meracelina era para cortar diarréia de criança. A gota do Zeca, para estômago e intestino. Para abrir o apetite era o Biotônico Fontoura. O Emução de Scott era o fortificante do pulmão.
    Na época em que eu morava na Lagoa, comprava o ouro embrulhado no jornal, eu abria o jornal e tirava do ouro o esmeril, passando o imà.
    Depois de ter passado o imà, soprava bem devagarinho para tirar a poeira do ouro. Quando só tinha ouro eu pesava, utilizando uma balancinha bem pequena feita de metal. Comprava o vintém e a grama . O vintém era um pesozinho do tamanho de uma cabeça de fósforo. Era 1$000(um mil reis) o vintém e a grama eu pagava 10$000(dez mil reis). Os garimpeiros recebiam o dinheiro ou levava em cereais.
     Eu ia ajuntando o ouro em um vidrinho que era guardado dentro de uma caixinha de madeira que ficava no meu quarto de dormir ao lado da cama. Quando completava umas 100 ou 200 gramas eu vendia para o Tidas Mundinho ou para Justino Roquete. O garimpeiro não utilizava mercúrio, apurava o ouro só na bateia.
     Da Lagoa até Paracatu não tinha estrada, a gente vinha montado no lombo do cavalo ou no burro. De Unaí para Paracatu gastava-se 8 dias no lombo do burro.
     Quem fazia o correio de Unaí a Paracatu era o Juvêncio Correio. O Juvêncio parava na minha venda, tomava água e ia embora montado no burro. Quando eu ainda era empregado do Sr. Henrique Aragão, o grupo de Saul, passou na venda e apanhou mercadorias e foi embora sem pagar. Colocaram os mantimentos nos lombos dos cavalos e foram embora.
     Era mais ou menos uns 5 bandoleiros. Hoje, tudo é tão diferente de antigamente. Quando mudei para Paracatu e vim estabelecer aqui, neste lugar, toda a avenida Olegário Maciel era de terra e tinha poucas moradias. No lugar do banco Credipar era uma vendinha do Antônio Cornichão , feita de adobe e foi vendida para o Oscar Oliveira Vidal. No lugar do Fórum era uma praça, na esquina da Rua Joaquim Murtinho tinha farmácia Santa Mônica do Gregório Santiago.
     Em frente do Hospital Municipal, onde é hoje a Fábrica de biscoito Tia Dulce, tinha uma casinha de adobe onde morava D. Maria Tavares. Em 1968 a avenida Olegário Maciel era de terra e a boiada passava com o berrante na frente e o carro de boi ainda circulava nas ruas.


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