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"Quando vou me deitar rezo um terço de mãos dadas com meu marido"

Cléria Carvalho Gomes

Nascimento:  22 de Julho de 1927
Residência :   Rua Professor Henrique dos Reis, 655 - bairro Arraial da Angola
Entrevista:  29 de Março de 1999

    O meu pai chamava Rescenvindo Gonçalves de Carvalho e minha mãe chamava Elvira Gonçalves de Carvalho, eles eram primos carnais. Minha mãe era filha de Melquíades Gonçalves de Carvalho e de Maria Caldeira Brant. O Manoel Caldeira Brant era meu bisavô e minha bisavó chamava Deolinda Ferreira de Moura. O Manoel Caldeira Brant foi professor aqui em Paracatu em um colégio que existia na Rua Dr. Seabra.
    Eu nasci em Guarda-Mor e vim morar aqui em Paracatu na casa de minha avó Maria Caldeira Brant. Estudei no Grupo Afonso Arinos, onde tive as professoras Maria de Lurdes Silva Neiva, Dona Josefina, Dona Odila, Dona Dulce de Oliveira e no 3ºe 4ºano foi a professora Maria Conceição Macedo. A diretora era Dona Zenóbia Vilela Loureiro e a Vice- diretora era Dona Altina de Paula. Quando terminei os estudos fui estudar na Escola Normal, onde é atual Casa da Cultura, para fazer o 1ºe 2ºano de adaptação, nesta época, as minhas professoras foram a Dona Beibe, Dona Maricota Botelho, Dona Marta Brochado. Depois passei para o normal, onde estudei mais três anos e formei em magistério.
    O Grupo Escolar era feito em 4 anos, a adaptação em dois anos e o normal em três anos.
     Eu formei em 1946 e lecionei durante um mês no Grupo Escolar Dom Serafim que era um colégio na Rua Rio Grande do Sul. Larguei o magistério e fui trabalhar na Farmácia Santiago, do Gregório Santiago. Era uma farmácia ao lado da atual Igreja Presbiteriana, na Rua Dr. Sérgio Ulhoa.
     Depois trabalhei numa casa de tecido chamada Casa do Crioulo, do Álvaro da Silva Neiva, trabalhava no escritório. Em 1958 fui trabalhar na prefeitura. A prefeitura era em frente da Farmácia Santiago, depois mudou para a Rua Rio Grande do Sul, para onde era a Santa Casa. Depois a prefeitura mudou para onde era o antigo mercado., ali perto da Casa da Cultura. O prefeito Walter Silva Neiva construiu o atual prédio da prefeitura.
     Todo mundo na época criticou ele, falavam que ele estava construindo a prefeitura no mato, que era muito longe do centro da cidade e que era um prédio muito grande para a prefeitura. O Fórum era na Rua Sérgio Ulhoa, na casa que foi de Celso Araújo, onde tem agora uma Clínica Médica, era em frente do atual Colégio COOEPAR.
    Na prefeitura eu trabalhava como auxiliar de tesouraria. A roupa que eu vestia era a minha mãe que fazia. Em casa, tinha a cozinheira e a lavadeira. A minha avó, Maria Caldeira Brant, contava que os escravos sofriam muito e que até um escravo foi enterrado vivo em um quarto na casa que ela morava, na Rua Eduardo Pimentel N º112. Quando reformamos a casa, encontramos os ossos, no lugar que ela falou que o escravo tinha sido enterrado.
     Aqui em Paracatu tinha muita pobreza e nunca os ricos ajudaram o bastante. Conheci o meu marido, Elias Batista Gomes, no coral de Santa Célia. Iniciamos o namoro e uns dois meses depois casamos e fomos passar a nossa lua de mel lá em Brasília, no Hotel são Paulo. Hoje, acordo às 5 horas da madrugada para rezar. Rezo a oração da manhà, o Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora Aparecida, Anjo da Guarda, a Santa Cruz, a Divina mãe Poderosa, a Oração da Vocação Religiosa, a Consagração ao Imaculado Coração de Maria, são Expedito, a Oração das Chagas do Ombro de Jesus, a Oração par o Divino Espirito Santo, a ladainha de Nossa Senhora, Oração da Boa Morte, são Vicente de Paula, Santa Terezinha, são Judas Tadeu, Santa Luzia, oração para os Governantes, oração dos Velhos, Atos de resignação, Sagrada Família, a ladainha do Santo Antônio, Nossa senhora da Piedade, Nossa Senhora da Cabeça, Ladainha da Sagrada Face, oração do são Camilo, ladainha do são José, são Dimas e a oração Nossa Senhora do Desterro.
     Depois das orações eu rezo três terços, na parte da tarde rezo um terço na rede vida, assisto a missa na rede vida e quando vou me deitar, rezo o terço de mãos dadas com o meu marido. Eu já recebi a extrema-unção . não tenho medo da morte, porque é uma graça de Deus. não quero passar pelo inferno, posso passar pelo purgatório e com a graça de Deus ir para o céu . não acredito na reencarnação, mas, acredito na ressurreição dos mortos. Jesus Cristo virá e vai levantar todos os mortos da sepultura. Jesus Cristo tem o poder de ressuscitar os mortos. Sou devota de Nossa Senhora , que foi virgem ante, no meio e depois. Ela é maravilhosa. O momento mais forte da Igreja é a transformação do pão e vinho no sangue e corpo de Jesus Cristo Nosso Senhor.


Próximo: Elias Batista Gomes