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"Navegava na cidade, no carro de boi, no cavalo e na carroça"

Gentil da Silva Neiva

Nascimento:  20 de junho de 1929
Residência :  São Sebastião
Entrevista:  05 de março de 1999

    Eu nasci em 20 de Junho de 1929. Os meus pais moravam na fazenda Pouso Alegre, de Mário Mariano de Almeida. O meu pai, Teclo da Silva Neiva, era paralítico, mas fazia de tudo na fazenda. Era marceneiro, pedreiro e quando casou já estava aleijado. Ele teve quatro filhos e eu sou o mais velho. Quando eu tinha oito anos, mudamos para a fazenda do Canto do Sr. Pórfiro de Araújo Caldas. A minha mãe, Quintina de Araújo Caldas, já tinha morrido quando mudamos. Lá na fazenda, vivi, casei e morei 50 anos.
    Na fazenda Canto eu fazia de tudo, trabalhava como lavrador, carpinteiro e construtor de casa. O meu pai, também fazia de tudo morreu e morreu com 84 anos em 1973. Morei um tempo aqui em Paracatu, não tinha rádio, eram poucos os carros e todo mundo navegava na cidade nos carros de boi, no cavalo e na carroça.
    Tinha aqui uma pessoa que possuía um rádio, era o radioamador, era conhecido como Martins do rádio. Só ele que mantinha contato com outros radioamadores e só as pessoas importantes é que tinham acesso a este rádio. Na Quintino Vargas era onde tinha mais casas e era a rua principal. Abaixo do atual Banco do Brasil, tinha um posto de gasolina do Sr. Vevé. As ruas eram calçadas com pedras grandes, e o calçamento foi feito pelos escravos. As casas eram grandes, feitas de madeira e adobe e os muros eram feitos de barro misturado com capim.
    Na atual Olegário Maciel só tinha a casa do Sr. Gerônimo e tudo ali era a fazenda dele. A casa dele era ao lado de onde está o Jóquei Clube, era uma casa comum de barro e madeira, uma casa grande. No lugar da Olegário Maciel era uma estrada boiadeira, isto é, só passava boiada e tudo ali era um pasto só. O bairro Bela Vista era um pastão, no bairro Amoreiras não tinha casa. Onde é a Escola Estadual Antônio Carlos , tinha uma oficina para consertar caminhão velho, dali para baixo era tudo mato puro. No córrego do menino, tinha muita água e margeando o córrego era tudo mata, pasto e invernada.
    O que mais me marcou naquela época, foi quando passou uma avião em cima de Paracatu, o povo todo saiu para rua, estavam com medo e muitos saíram correndo, trombando uns nos outros. O avião foi pousar lá na Várzea do Moinho,
pois, lá tinha um campinho. O piloto do avião era o filho de D. Jovita Pinheiro. Aqui em Paracatu não existia nada, e nem hospital tinha, depois é que fundaram a Santa Casa. A cadeia era na praça, perto da Prefeitura, onde está construindo a Caixa econômica Federal. não existia rodoviária. Antes desta cadeia que eu falei, tinha uma outra, onde é a casa do Saul Botelho, mas foi o meu pai que a conheceu. Existia um mercado, ali perto da Casa da Cultura, onde será o Museu de Paracatu.
    No mercado vendia tudo: feijão no saco, arroz em casca, rapadura, açúcar de forma e milho. não vendia no peso, era no prato. O prato era feito de madeira e um prato era dois litros. Dentro das casas não existia banheiro, a privada era no fundo do quintal, era construída de madeira em cima da fossa. A água era de cisterna.
    Tinha também os chafariz: um era em um beco que ligava a rua do a'vila com a rua das Flores, outro chafariz era no tanque Olhos d'água, perto da Cooperativa, sendo que a rodovia enterrou parte dos Olhos d'água. As pessoas ricas moravam na rua do a'vila. Eu morava na Rua Manoel Caetano e o fundo da casa dava para a Quintino Vargas. O telhado da casa era com telha comum, caibro roliço, o chão era de terra batida, parede de adobe e não tinha forro. O levantamento da casa era todo de madeira. A janela e porta também era de madeira, o fogão à lenha, privada fora de casa , água de cisterna. No quintal tinha fruteira: laranjeira, bananeira, mangueira, jaboticabeira e um curral para prender cavalo.
    Aqui em Paracatu, tinha muito cavalo e o Sr. José Pedro Gonçalves, o pai de Genésio Gonçalves Pereira, tinha um curralzinho onde ferrava os animais. A rua onde é hoje o Bradesco, existia poucas casa, a casa do Sr. Genesio do lado direito indo par a rua Olegário Maciel; do lado esquerdo tinha duas casa de mulheres da vida.
    Tinha também aqui em Paracatu outras casas de mulher da vida, lembro de uma logo abaixo de onde hoje é a Telebrasília, foi o prefeito Walter Neiva que tirou elas de lá. Na polícia militar a gente tinha muita confiança, o povo tinha respeito, eles eram bravos mas, colocavam ordem.


Próximo: Genésio Gonçalves Pereira