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"Tinha muito silêncio na sala de aula... As professoras não deixava ninguém conversar. Eu conversava com os meus alunos com os olhos"

Isolina Ida de Oliveira

Nascimento:  29 de Novembro 1916
Residência :  Avenida Deputado Quintino Vargas, 296
Entrevista:  08 de Junho de 1999

    O meu pai chamava Fábio de Oliveira e Ciência e minha mãe Antônia Pinheiro de Oliveira. O papai trabalhou como sapateiro e depois na empresa Medeiros e Burgos que era uma firma de transporte de Paracatu para Patos de Minas. Eles possuíam caminhão e jardineira. O papai era o dirigente da empresa. A firma comprava banha de Perola lá em Pirapora e o papai ia lá buscar. A minha mãe era auxiliar de inspetora de alunos no Colégio Normal. Quando papai trabalhava de sapateiro, a mamãe ajudava na confecção dos sapatos.
     Eu nasci na Rua Samuel Rocha e a casa já foi demolida. Construíram uma moderna no lugar da nossa casa e reside lá hoje a Lurdes André que trabalha na Caixa Federal. A minha infância foi de trabalho, o meu pai era muito pobre e toda família o ajudava. Eu fazia roupas íntimas, roupa de recém - nascido, paninhos de mesa e vendia tudo. Vendia também os sapatos que fazia, os tamanquinhos, sapatinhos e chinelinhos. Era eu que mais vendia e fazia também vestidos para festas juninas com chitão.
     Todos os quatro filhos ajudavam em casa. O que a gente vendia, prestava contas ao papai. A educação era muito severa, só saía para as visitas com o papai e mamãe. Eram visitas nas casas das pessoas mais antigas. Eles não levavam a gente em festas e só deixava ver a procissão passar, acompanhada por eles.
     Estudei o primário no Afonso Arinos e depois fui para a Escola Normal Antônio Carlos. As professoras eram enérgicas, mas a gente já estava habituada com a energia em casa e nem notava.
    Formei como professora e fui lecionar no Afonso Arinos. Lecionei lá trinta e seis anos e dez meses. Na sala de aula, as carteiras eram enfileiradas sendo que as meninas ficavam de um lado e os meninos ficavam do outro. Dividindo as fileiras tinha um estrado onde ficava a mesa do professor.
    Tinha muito silêncio na sala de aula, as professoras não deixavam ninguém conversar. Eu conversava com os meus alunos com os olhos. As professoras passavam muito dever de casa e eu nunca dei menos de dez deveres por dia. Os mais capacitados faziam todo o dever. Os filhos de pais analfabetos tinham mais dificuldade. Os alunos que conversavam em sala ou não faziam os deveres, os professores passavam um número maior de dever para casa.
     As ruas de Paracatu eram todas tortas. A Rua Manoel Caetano era tortinha, a mais alinhada era a Rua Goiás. não tinha a Avenida Deputado Quintino Vargas e ali era só mato, mato puro, assa-peixe.
     As quitandeiras iam apanhar assa-peixe onde é agora a Avenida Deputado Quintino Vargas para fazerem as vassouras de limpar forno. No lugar do Colégio das Irmãs tinha uma casa muito grande e era um encanto de casa, era muito grande, era a casa do Sr. José Botelho. Destruíram esse casarão e construíram o Colégio das Irmãs. Na igreja do Amparo, as janelas, portas e gavetões possuíam puxadores de ouro. Na igreja do Amparo tinha o segundo andar, onde ficavam os cantores para cantar durante as missas.
    A minha tia Cândida Pinheiro de Souza foi diretora e cantora do couro. Eu só ficava em casa trabalhando. Quando aqui em Paracatu tinha teatro eu era figurinista. Os principais atores eram Lavoissiére Albernaz, Joaquim Rocha e Dirce de Sá. As apresentações era nos feriados, aos sábados e domingos.
    O que Paracatu tinha de mais bonito eram as praias e a gruta de Vênus e todos os animais andavam pelas ruas: boi, cavalo, porco, galinha e cachorro.


Próximo: Violeta José da Costa