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"A vida hoje é mais fácil e mais cara, antigamente a vida era mais difícil e mais barata"

Maria do Carmo Morais

Nascimento:  17 de Agosto de 1927
Residência :   Avenida Olegário Maciel, 699
Entrevista:  31 de Março de 1999


    Eu nasci em 17 de agosto de 1927. O meu pai chamava Sebastião do Carmo e minha mãe Maria da Fonseca Pinto. Eles tinham a fazenda Santa Rita e depois mudaram para Paracatu.
    Eu nasci aqui em Paracatu. Naquele tempo a água era de poço, puxada por saril, a privada era um buraco furado no quintal, o banho era de bacia, usava o pinico que era guardado embaixo da cama, não tinha água encanada, a luz era de lamparina alimentada com querosene.
    O chão da casa era de terra batida e era aguada para não dar poeira e depois varria, ficando tudo limpinho. As paredes das casas eram de adobe, o fogão era feito de barro e alimentado com lenha do mato. O forno também era de barro. No forno fazia biscoito, pão, rosca, pão de queijo, bolo de fubá, bolo de mandioca, brevidade, biscoito de queijo, biscoito de goma.
    As panelas eram de ferro e ariadas com sambaíba e areia. Os pratos e os copos eram de esmaltados e era muito usada a gamela de pau para amassar as massas dos biscoitos. No quintal criava-se porco e galinha e a comida era muito farta. Eu costurava muita roupa para vender na loja do meu marido e fazia muita enxerga. A enxerga era um acolchoado de capim que colocava no lombo do animal e por cima punha a sela.
     Na roça não tinha médico e a gente usava os
remédios da natureza. No machucado colocava o sumo da folha de algodão. No machucadão colocava a trançagem . Na febre alta, fazia a lavagem intestinal e depois que estava limpo dava chá de acordo com a doença.
    Para a gripe dava o sabugueiro, o hortelã para verme, a trançagem para infeções e alemanha para o intestino, poejo para gripe. Usava também dar o chá da casca de laranja com hortelà para febre alta. O limão era muito bom para a gripe.
     Eu casei em 1949 com o Antônio Joaquim de Moraes e sempre trabalhei com ele na loja, trabalhamos juntos para criar a família. Trabalhei com ele em todas as vendas, de manhà à noite, todos os dias e até hoje estamos trabalhando lado a lado. A vida hoje é mais fácil e mais cara, antigamente a vida era mais difícil e mais barata. A educação da criança, hoje é mais fácil, pois, o ônibus pega a criança e leva para a escola, sendo que antigamente nem escola tinha. A minha religião sempre foi a católica, nasci e fui criada nela. Batizei, casei e criei todos os meus filhos no catolicismo. Todos os meus filhos fizeram o catecismo. Eu rezo ao levantar e a noite e de vez em quando eu rezo o terço. Graças a Deus, sou muito feliz no casamento.
    A respeito do comércio, agora é pior, porque aumentou muito a concorrência.


Próximo: Júlio Gomes da Mota