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"As bonecas eram feitas de pano por Maria Luiza, conhecida por Orobó"

Maria Xavier (MARIA JOANA)

Nascimento:  12 de Maio de 1924
Residência :  Rua Manoel Caetano ,365
Entrevista:  30 de Abril de 1999

    Domingos Xavier da Silva era o nome de meu pai. A minha mãe chamava Zulmira Rabelo de Souza. Eles trabalhavam na fazenda Santo Aurélio de Josino Campos Valadares. O Josino era um homem muito rico e teve uma morte horrível. Ao chegar na fazenda, o seu carro caiu no açude, pois, a sua esposa queria tirar um presente do bolso dele e provocou o acidente.
    Morreram o Josino, sua esposa e uma sobrinha. Os meus pais morreram de pneumonia, naquele tempo não tinha remédio. Fui criado pelos meus avós maternos, eles chamavam Aguinelo Rabelo de Souza e Izabel de Franca Pinheiro. Eles moravam também lá na fazenda Santo Aurélio.
    Quando meu pai morreu eu tinha quatro anos. Com 9 anos de idade eu vim morar em Paracatu, na casa de Jovita Pinheiro, na Rua Manoel Caetano.
    Antigamente as casas não tinham número e a cidade era muito pequena. Fui então estudar no Afonso Arinos e fiquei lá até completar o 4ºano. Naquele tempo a gente brincava de boneca e cozinhadinho. Cada Domingo ia para a casa de uma amiga para brincar de cozinhadinho. As bonecas eram feitas de pano por Maria Luiza, conhecida por Orobó. A Orobó era uma preta velha, muda e magrinha. Ela sabia fazer uma boneca linda e toda de pano. Cada boneca que ela fazia era de uma perfeição absoluta. A boneca tinha cabelo, olhinhos, narizinho, boca. O rosto era perfeito e as mãozinhas também.
    Cada boneca custava $200 ( duzentos reis). A Orobó morreu muito velha em Patos de Minas aos cuidados da Jovita Pinheiro. Ela recebeu todos os cuidados e todo conforto possível. Aqui em Paracatu, tinha muita igreja bonita, mas, destruíram todas. Existia a Igreja do Santana, Abadia e Amparo. A Igreja do Amparo era no Cristo Rei, a Abadia era na Praça Firmina Santana, a Igreja do Santana lá no Santana, no mesmo ligar que construíram aquela pequenininha que está lá agora. Das três Igrejas, a mais bonita era a do Santana, tinha muita coisa bonita e de valor lá dentro, mas tudo desapareceu. No lugar do Colégio das irmãs, tinha um grande casarão muito bonito, era uma casa muito grande.
     Lembro da família de Antônio Jordão de Carvalho que morou lá. A primeira pessoa a ter uma televisão aqui em Paracatu foi o pessoal daqui de casa e depois Rogério Pereira Gonçalves. A gente quase não via a imagem, ficava quase tudo invisível e só escutava um sonzinho. Mas todo mundo ficava ali diante do aparelho.
     Lembro que esta rua onde moro era toda de pedra. O calçamento de Paracatu era todo de pedra e era uma cidade muito pequenina. A vida era muito difícil, mas todo mundo trabalhava e tinha a sua vida. não existia tanto pobre como tem hoje. A vida não oferecia tanto conforto, mas o pessoal era mais amigo. O homem público que mais gostei foi o prefeito Quintino Vargas. Foi ele quem colocou luz, água aqui em Paracatu. não foi ele que mandou tirar as pedras do calçamento. As pedras começaram a ser tiradas na época do prefeito Wladimir e depois os outros continuaram.
    O Walter Neiva foi um ótimo prefeito, foi ele que mandou construir a prefeitura, tirou os bequinhos e abriu muitas ruas. A educação era muito mais enérgica do que hoje. Quem saía do 4ºano, parecia que tinha o curso superior, sabia muito mais do que hoje. Hoje quem está estudando no ginásio não sabe nada. Naquele tempo tinha muito castigo que obrigava o aluno a estudar. O aluno tinha que saber tudo direitinho. Os professores cobravam muito, mas o aluno saía sabendo. Tinha os seguintes castigos: prisão na secretaria, ficar de pé na frente da sala, ir para a Diretoria. O pior era quando a gente era mandado lá para a diretoria.
     Fui batizada lá na roça com o nome de Maria Joana Xavier e registrada como Maria Xavier, perdeu o Joana. A gente nascia na roça e pai da gente trazia escrito em um papelzinho o nome e a data do nascimento, mas, lá no cartório perdia o papel e os dados saíam todos truncados.


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