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"As ruas eram calçadas de pedra e acabaram com tudo"

Odília Dulce de Oliveira Souto

Nascimento:  19 de Novembro 1914
Residência :  Rua Manoel Caetano, 251
Entrevista:  07 de Junho 1999

    O meu pai era severo, muito severo mesmo. Eu era muito presa e todo mundo vivia dentro de casa. A gente só saía acompanhado do papai e da mamãe. Para ir para a escola, todos os irmãos iam e voltavam juntos.
    Eu só fui conversar com um menino quando eu tinha 13 anos e foi lá na Escola Normal. Formei em magistério na única escola que tinha aqui em Paracatu que era a Escola Normal.
     O que mais me marcou em Paracatu era as enxurradas no tempo de chuva, parecia que a rua vivia um Rio. Aqui também tinha muita serenata e na noite de lua, os brinquedos de roda, em frente de casa com as mães olhando as crianças brincando. Conforme a gente ia crescendo, passamos a ir para as casas das colegas para brincar de fazer cozinhados, cada moça levava um ingrediente e fazíamos a comida embaixo das mangueiras. Os quintais eram grandes, tinha muitas árvores como: jabuticabeiras, laranjeiras, goiabeiras, caramboleira, mangueira e outras. Plantava muita verdura nos quintais, como alface, abóbora, cheiro verde, quiabo, jiló, chuchu.
    O fogão era de lenha e a comida sempre estava quentinha. Em todas as casas fazia doce de marmelada, goiabada, laranja da terra, doce de leite fino, doce de ovos, pé de moleque. Toda mulher sabia fazer de tudo. A moça era preparada para ser mãe de família e dona de casa.
    Com trinta e poucos anos fui para o convento das irmãs carmelitas. O convento era em casa velha que as irmãs tinham comprado do José Botelho.
    O convento funcionou muitos anos nesta casa e depois ela foi demolida e construíram o colégio Dom Elizeu. Fiquei no convento, durante onze anos e saí com quarenta e cinco anos. Voltando os olhos para o passado, ficamos tristes com o desaparecimento das igrejas do Santana, Amparo e Abadia. Inúmeros sobradões também foram destruídos. Só na Rua Goiás, três grandes casarões desapareceram. As ruas eram calçadas de pedra e acabaram com tudo.
    A vida política aqui em Paracatu era brava, um partido não podia ouvir nem falar do outro. No interior das casas a água era de cisterna, a privada no quintal, luz de lampião, lamparina e vela; o fogão era de lenha, o piso era de barro, a parede de adobe. As ruas eram escura e também buscava água na praia ou nos Olhos d'água.
    As festas também eram muito bonitas, sendo que a do Divino Espírito Santo aparecia toda a corte real, com Imperador, Imperatriz, Príncipes e Princesas, era o próprio povo de Paracatu que fantasiava imitando a corte. As procissões eram animadíssimas, todo mundo acompanhava a procissão. Durante toda novena tinha leilão.
    Na festa de são Benedito tinha congado, tapuiada, capoeira, quadrilha e caretagem. Aqui em Paracatu tinha muitas serenatas nas noites de luar. Saía um grupo com violão, sanfona, bandolim e gaita. O grupo parava embaixo da janela e cantava lindas e maravilhosas canções. Os grupos de serestas eram formados de casais, acompanhados dos filhos.


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»» Para saber mais sobre Paracatu:


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